


“E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que lhe seja adequada” (Gênesis: 2 – 18)
O homem por natureza não veio ao mundo pra ficar sozinho. Ele não gosta de solidão, gosta de viver em grupo, o grupo mais histórico é o grupo familiar. Mas se algum desavisado, perguntar-me: “E, a solitude?”, responderei: “Solitude não é solidião!" A solidão é carregada de tristeza, angústia e irritação, enquanto, a solitude é um modo de vida... Algumas pessoas preferem ficar sozinhas, liberdade plena, elas não gostam de compartilhar sua vida com o outro. A solitude é desejada, é alegre, é saudável, é feliz; a solidão é involuntária, é depressiva, é melancólica, às vezes, doente.
Abre parêntesis:
Ainda jovem, comecei trabalhar no magistério itabunense e cidades vizinhas, notadamente, Itajuípe e Buerarema. Juntei algum dinheiro em 1 ano de trabalho e comprei uma casa popular por preço de bagatela, e, deixei a casa dos meus tios que me criaram. Meu tio, do alto de sua experiência de vida, dizia: “...puta só e ladrão só”, e, justificava: “... tudo de certo ou errado que fizer, só você sabe”.
No início, senti-me um “Sheik” das arábias: “jovem, casa própria, emprego, dinheiro no bolso e liberdade”.
À medida que o tempo passava, tudo dentro de casa foi ficando de ruim pra péssimo: a comida sem gosto, os serviços caseiros por obrigação, a cama tinha “pulgas”, o estudo mais difícil e a solidão chegou, como não bebia, não fumava nem jogava, não tinha namorada, afundei-me no trabalho diuturno.
Fecha parêntesis.
A interação do homem com o seu semelhante é uma necessidade e melhora sua autoestima, sua condição física e emocional, por isto, valoriza-se tanto os amigos, as amigas e a família. O homem que não teve família, passou na vida e não viveu. A vida completa é: Deus, Pátria e família. O destino do homem não é viver isolado numa ilha como Robson Crosué.
Hoje, as novas tecnologias produzem a formação de grupos sociais sem o homem arredar o pé de casa, com valores, objetivos comuns e sentimento de pertencimento. A Internet propicia ao pai falar com seu filho que mora na Austrália, em tempo e imagem reais. São muitos os grupos do homem moderno: familiar, religioso, educativo, político e etc. Todos esses grupos interagem-se com o uso de redes sociais: WhatsApp, Instagram, “Xis”, Facebook, etc.
Seu José de minha rua ficou de queixo caído quando soube que sua audiência com o meritíssimo juiz não seria “tête-à-tête”:
- Dotor qui negoço é esse? Num vô falar cum home cara-cara?
- Não, seu José. O Senhor vem para o escritório, eu vou ligar o celular, coloco-o em sua frente, o senhor irá falar, quando sua excelência lhe perguntar, deixe que falo pelo senhor!
- Qui pesti, num pudê falar?!
- Para isso, o senhor paga ao seu advogado – o seu José entendeu.
As mudanças nos meios de comunicação, desde o Século passado, foram rápidas e radicais. Não faz muito tempo, passei enorme decepção quando conversei com a mãe de um recém advogado, saiu:
- Seu filho tem muitos livros de Direito?
- Livros físicos?
- Sim!
- Não se usa mais! Os livros tradicionais empoeiram a estante, agora, é tudo feito pela Internet, até as audiências! Papel? Tudo é feito no computador!...
Por isso, vivemos num mundo de profissionais incompetentes, profissionais do mundo virtual e não do mundo real, concreto, o grande problema, é que não lhes ensinaram pensar, o mundo da tecnologia pensa por esses ineptos profissionais, na esteira da incoerência entre a tecnologia e a ignorância.
Autoria: Rilvan Batista de Santana
Membro Fundador da Academia de Letras de Itabuna – ALITA
Foto: Google