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ALITA! Ó ALITA! Que foi feito de ti? - R. Santana

A  ALITA foi fundada em 19 de abril de 2011, numa das salas da FICC, 16 homens e mulheres ali reunidos com o objetivo comum de fundar uma entidade que preservasse a história dos amantes das letras e das artes de Itabuna e região, ao mesmo tempo, que essa chama do conhecimento e do saber fosse perene e novos valores fossem incentivados.

Naquele dia, foi eleita por assentimento uma diretoria. O Regimento e o Estatuto foram feitos em tempo recorde, pois dentre os membros da nova diretoria, havia gente de saber jurídico relevante, a exemplo de Marcos Bandeira, Gustavo Fernando Veloso, Antônio Laranjeira, Eduardo Passos e, intelectuais de escol: Ruy Póvoas, Lurdes Bertol, Dinalva Melo e Genny Xavier, dentre outros que a memória não me ajuda lembrá-los.

O primeiro presidente da ALITA, o juiz (não ex-juiz, porque quem foi rei continua majestade), Marcos Bandeira, ele tornou de fato e de direito os acadêmicos da ALITA na Faculdade de Tecnologia e Ciências – FTC. Foi um evento memorável com a presença do presidente da Academia de Letras da Bahia – ALB, o escritor Aramis Ribeiro Costa. Quase todos acadêmicos compareceram e foram empossados.

Eu fui seu primeiro tesoureiro, arrecadei a taxa de contribuição mensal dos acadêmicos com determinação e lisura, junto com o presidente, conseguimos contratar um buffet e a festa de posse dos membros da nova academia foi regada com champanhes, refrigerantes, vinhos, cervejas, doces e salgados. Há quase 8 anos, lembro-me que o custo da festa excedeu mais de R$ 4.000,00 (quatro mil reais). Com organização e critério, pagamos todas as despesas sem necessidade de recorrer aos gestos filantrópicos dos acadêmicos.

Com o afastamento, por motivos particulares, do juiz Marcos Bandeira da presidência, a entidade começou a degringolar, porque assumiu a presidência da ALITA a juíza e professora da UESC, Sônia Maron. Senhora séria, de vida pregressa ilibada, porém, de temperamento autoritário, racional, pouco dada às discussões contraditórias e, pouca sensibilidade para compreensão e aceitação das diferenças individuais de seus pares, ou seja, pessoa mais de confronto do que de consenso. Sua falta de habilidade para o dissenso foi gritante que, poucos dias que assumiu a presidência da ALITA, advertiu protocolado um membro fundador da entidade por manifestar desconforto administrativo com privilégios para alguns em detrimento de outros, algum tempo depois, por motivos quase idênticos, urdiu com outros membros um “Termo de desagravo” em jornais e sites de literatura da cidade para o mesmo membro.

Faz-se necessário esclarecer, por justiça, que Sônia Maron não foi a única responsável pelo estado de inércia que se encontra a nossa academia de letras itabunense, o escritor Cyro de Mattos, também de temperamento autoritário e intolerante, talvez, foi o mais nocivo para desenvoltura e reconhecimento da ALITA na comunidade desde sua fundação, como poeta e escritor reconhecido aqui e lá fora, usou esta condição para formação de um “establishment” para influenciar e decidir todas as ações e decisões acadêmicas – indicou e aprovou a maioria relativa dos membros da entidade, formou diretorias e controlou a revista e o site ao seu bel-prazer sempre.

A superioridade de Cyro de Mattos na entidade literária itabunense foi/ou é que, no final do mandato de Sônia Maron na presidência da ALITA, ele indicou e elegeu para substitui-la, a coordenadora do “Memorial Adonias Filho”, professora Silmara Oliveira, que trabalha e reside em Itajuípe. Aqui, não se coloca em dúvida sua capacidade administrativa e seu mérito pessoal, mas a inconveniência dela residir e trabalhar noutra cidade, não ser conhecida na comunidade itabunense e não possuir livre acesso às autoridades políticas e administrativas de nossa cidade.

Cyro de Mattos tornou-se ao longo desses anos, o Mecenas da ALITA, jornalistas e comunicadores que prestigiaram sua literatura de alguma forma, foram presenteados com o título notável de acadêmico alitano, contrariando o Estatuto da entidade que diz: “Art. 2º - Só pode ser membro efetivo da Academia os brasileiros que tenham, em qualquer dos gêneros de literatura, publicado obras de reconhecido mérito ou, fora desses gêneros, livro de valor literário. As mesmas condições, menos a de nacionalidade, exigem-se para os membros correspondentes”.

O objetivo deste artigo não é denegrir a entidade ou pessoas, mas chamar a atenção de outros membros para tirar a academia da letargia que se encontra: site desativado (com prejuízo do seu arquivo e a divulgação de novas produções), projetos inexistentes, salvo, o incipiente “Roda de Leitura” que está nas escolas de ensino fundamental, nenhum estímulo às novas produções de seus membros, nenhuma ação política para reconhecimento de entidade de utilidade pública e a democratização da revista “Guriatã”, hoje, só os apaniguados de seu diretor, têm ali, seus textos publicados.

É lamentável, depois de uma consulta, a resposta que tive da direção atual da ALITA: “Não estamos tendo reuniões. Por motivo de força maior, estamos inativos este ano. Só estamos trabalhando no “Roda de Leitura” em várias escolas e na biblioteca municipal, com ótimos resultados! O site está com problema e a Raquel está tentando resolver”.

Quero enxertar neste texto, parte de minha crônica publicada no Saber-Literário e no site Recanto das Letras, em 17.09.2015, com o título: “Academia”. Nessa data, discorri embasado num livro de Jorge Amado: “Farda, fardão, camisola de dormir”, que as futricas, as intrigas, a política acadêmica e os egos inchados que permeiam a vida dos imortais da ABL e, conclui:

“A academia é a entidade que preserva para sempre o melhor pensamento intelectual de cada época, por isto, diz-se que os seus membros são “imortais”, ou seja, sua obra não morre. Mas, com a proliferação dessas entidades (a cidadezinha mais remota do país tem sua academia), a produção intelectual dá lugar à importância social, econômica e política dos seus membros na comunidade, aí, não se tem um pensamento intelectual refinado, mas uma academia de notáveis sociais”.

Hoje, tenho registro da “União Brasileira de Escritores – UBE”, que me orgulha e agradeço a Deus, as condições de saúde física e mental que Ele me deu para receber essa honraria, todavia, nunca me encontrei como escritor, eu sou apenas, um amante das letras e da arte de escrever. Quando recebi o telefonema do preclaro juiz Marcos Bandeira (não o conhecia pessoalmente), para fazer parte da nova academia de letras itabunense que se fundava, fiquei contente que nem “pinto no lixo”, custou-me acreditar merecedor de tamanha distinção, por isto, não me conformo com o destino menos histórico que algumas pessoas querem dar à Academia de Letras de Itabuna – ALITA. Abaixo, transcrevo “ipsis litteris”, as palavras de um dos seus mais insignes fundadores:

“Essa é a Academia de Letras de Itabuna - ALITA, que nasceu para agigantar-se com seus fundadores e integrantes plugados na sensibilidade e focados no futuro em direção à ocupação dos espaços literários - homens e mulheres, que aceitaram o desafio de construir no presente o que lhes for possibilitado para honrar ao povo dessa terra grapiúna”. Autoria: Rilvan Batista de Santana, São Caetano, Itabuna(BA).
Rilvan Santana
Enviado por Rilvan Santana em 24/10/2018
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