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“Quem semeia ventos, colhe tempestades” R. Santana

“Quem semeia ventos, colhe tempestades”
R. Santana

Eu fico aqui no meu canto, chorando os meus prantos... Não sou dono da verdade, se tivesse a verdade comigo, quem iria me ouvir, quando o país é tomado de comoção pelos últimos acontecimentos e todos os ouvidos estão moucos? Não que como ser humano, também, não fui tomado dessa perturbação coletiva, porém, far-se-á necessário colocar os pingos nos ii, separar o joio do trigo, para que a cultura do ódio não substitua o bom senso, a amizade, o altruísmo, a filantropia e a boa índole do povo brasileiro.
Nenhum ser humano, por mais que não gostemos de suas convicções políticas ou religiosas, merece a violência física ou moral, o crime não justifica o desatino de ninguém. Atitudes politicamente incorretas devem ser combatidas com o diálogo, o exemplo e a lei: “A força do direito deve superar o direito da força”.
O argumento da força, deve ser contrariado pela força do argumento, quando falta argumento ao indivíduo limitado intelectualmente, ele recorre à grosseria, à violência.
A História está repleta de desastres nacionais pela comoção irrefletida de algumas nações, a exemplo, o incêndio do “Reichstag” alemão em 1933, levou o povo estabelecer a Alemanha nazista, Hitler, Franco, Mussolini, a II Guerra Mundial, 50 milhões de vítimas fatais, vitimou 6 milhões de judeus, Hiroshima, Nagasaki, e a divisão do mundo em comunistas e capitalistas, portanto, a comoção coletiva, às vezes, destrói os princípios mais nobres de um povo.
O próximo dia 07 de outubro do ano em curso não deverá passar para nossa História como “Dia da Insensatez” pelo fato dos últimos acontecimentos. A escolha do presidente do país, deve pesar além de sua qualificação pessoal, profissional, experiência administrativa, vida pregressa ilibada, que, também, ele seja humilde, solidário, modesto e humano. O povo não necessita de heróis megalômanos de ideias radicais desumanas, extravagantes e preconceituosas, mas de um sujeito centrado e sensível aos reclames dos desassistidos da vida.
Neste momento, gostaria de poder amenizar a dor e o sofrimento físico do senhor Jair Bolsonaro, mas jamais comungar com suas ideias preconceituosas, discriminatórias, que faz apologia do “olho por olho, dente por dente”, da pena de morte, que seu livro de cabeceira é: “A verdade Sufocada”, ou, Rompendo o Silêncio”, do coronel Ustra, ex-chefe supremo do DOI-CODI, remanescente dos porões do regime militar e discricionário de 1964, morto em 2015.
Custa-me acreditar que pessoas inteligentes, intelectuais e pessoas pensantes da nossa comunidade, sejam contaminadas por ideias retrógradas, herança do atraso, de um tempo distante e empunhe a bandeira política de Bolsonaro com todas as paixões, até, comprometendo velhas amizades. Ademais, um candidato que não entende de economia e nomeia, a priori, seu ministro da Fazenda, um banqueiro, o senhor Paulo Guedes, é como se entregar “o galinheiro à raposa”.
Nós temos, nessa eleição do dia 7 de outubro, deste ano, candidatos probos, qualificados, com experiências administrativas comprovadas, homens e mulheres de família, que honram à pátria, Deus, e sensíveis aos problemas dos menos favorecidos pelo destino.
O ato desprezível e covarde de Adélio Bispo de Oliveira ao candidato a presidente do país, o deputado Jair Bispo Bolsonaro, é um atentado ao estado democrático de direito e ao indivíduo, um crime execrável. Acredito que por detrás desse ato vil não existe mandante político ou envolvimento político partidário, é mais um daqueles casos de algum tresloucado que se diz enviado de Deus para conter a ascensão política de líderes que semeiam ideias radicais e nocivas à sociedade, principalmente, às minorias historicamente discriminadas.
É do conhecimento de todos, inclusive, dos seus eleitores de cérebro, não apaixonados, os rasgos, os ímpetos de mau gosto do ilustre candidato presidencial: “... capim para os eleitores de Lula”, “...vou metralhar a petralhada do Acre”, “... fuzilamento de Fernando Henrique”, “Ô Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu”, "Eu fui num quilombola em Eldorado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gastado com eles", "Ela não merece (ser estuprada) porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria...”, “Fui com os meus três filhos, o outro foi também, foram quatro. Eu tenho o quinto também, o quinto eu dei uma fraquejada. Foram quatro homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio mulher”, “Não vou combater nem discriminar, mas, se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater”, “O governo não faz planejamento familiar porque acha que quanto mais pobre existir melhor. Porque serão mais eleitores amarrados nos seus programas assistencialistas“, “O único erro foi torturar e não matar“, “Gastaram muito chumbo com o Lamarca. Ele devia ter sido morto a coronhadas“, etc., etc., etc. Embora não justifique, mas quem semeia tanto ódio e preconceito, mexe com a cabeça maluca de muitos “Adélios”.
Quando fechava este artigo, assisti perplexo no JN, lá no “Albert Einstein”, o candidato a presidente Bolsonaro, sentado e aparentemente bem, de pijama azul e meias de compressão, ao invés de agradecer ao povo brasileiro pelas orações de saúde que lhe fez, sua mensagem foi simular com as mãos o uso de armas de fogo.
Esse Brasil de ódio e violência não quero para mim nem para os meus filhos e netos. Acho, também, que milhões de brasileiros cordatos de paz e amor não irão embarcar nessa nave em que seu principal comandante vaticina que a solução dos nossos problemas não será pelo diálogo incessante, mas aos arrepios das leis, pela truculência e arbítrio. Rilvan Batista de Santana. São Caetano, Itabuna (BA), 09 de setembro de 2018.
Rilvan Santana
Enviado por Rilvan Santana em 09/09/2018
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