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O Talento - R. Santana
 
 
De quando em vez, depois de algumas cachacinhas com limão (pobre não toma whisky), de cabeça cheia, problemas resolvidos, fico filosofando sobre os enigmas existenciais: “Quem sou eu?”, “De onde vim?” e, “Para aonde vou?”, decerto, não encontro resposta nem ninguém a encontrará. Melhor seria se o homem não ficasse conjeturando o desconhecido. Saber o quê? Inteligente é não saber. Porém, uma das coisas que me intriga é o talento, seria gratificante se todo homem desenvolvesse seu talento qualquer que fosse sua atividade.

O talento é importante para Deus, todos nascem com mais ou menos talento, uns desenvolvem-no e outros não, isto não significa, que aquele que recebeu menos talento não desenvolva melhor que aquele que recebeu mais talento.

A parábola contada por Mateus (25:14-30), traduz o propósito de Deus sobre o talento. Certo senhor fez uma longa viagem e deixou para seus servos alguns talentos. O primeiro servo, recebeu 5 talentos e quando o senhor voltou recebeu o dobro e o reconhecimento: “Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei, entra no gozo do teu senhor”. O segundo servo, recebeu 2 talentos, também, dobrou os talentos e com o dobro, veio-lhe o reconhecimento do seu senhor. O terceiro, recebeu 1 talento, com medo do senhor, enterrou seu talento na terra e não o devolveu: “Mau e negligente servo, irei tirar seu talento, porque a qualquer que tiver lhe será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem lhe será tirado”.

Para o feiticeiro de Menlo Park (The Wizard of Menlo Park), Tomas Edison, que patenteou em vida mais de 2300 inventos, o talento exige sacrifício, determinação, trabalho, transpiração, senão, não produz, não se cria, a ideia morre no nascedouro, é como o servo que enterrou seu talento com medo de ser admoestado pelo seu senhor, Edison teve vários fracassos antes de colocar no mercado consumidor sua lâmpada elétrica incandescente. Se ele se rendesse às dificuldades iniciais de seu invento, o homem teria vivido o Século XX, à luz de candeeiro, não, de luz elétrica.

O talento independe do aspecto físico. É sabido que na Conferência de Haia, Rui Barbosa foi vítima de preconceito de seus pares, pelo seu aspecto físico diminuto, inclusive, uma das conferencistas o chamou de “macaquito”. Para surpresa de todos, iniciou sua preleção inquirindo-lhes qual o idioma seria mais condizente para compreensão de todos e transitou com facilidade no idioma inglês, no idioma francês e no idioma alemão, os idiomas oficiais da conferência, enfim, defendeu a tese dos países em desenvolvimento e foi cognominado: “Águia de Haia”.

O talento é tão importante nas atividades humanas, que há anos, os ingleses buscam-no através do programa televisivo nacional, quiçá mundial, intitulado: “Britain´s Got Talent”. Os resultados não são tão animadores... Centenas de candidatos se apresentam para demonstrar seu talento, mas poucos fazem a diferença, por isto, quando aparece um talento de verdade a exemplo de Susan Boyle, é curtido nas Redes Sociais por centena de milhões de pessoas.

Susan Boyle se apresentou em Glasgow, vinha de West Lothian (aglomerado de vilarejos), Scotland. Desajeitada, quase cinquentona, nunca tinha sido beijada, desempregada, afastada da família, sua única companhia era seu gato Peebles. Não obstante seu aspecto físico desleixado, malvestida, cabelo desgrenhado, sua autoestima permaneceu pra cima: “eu vou fazer esta plateia tremer”.

O talento venceu o preconceito. Simon Cowell, como de praxe, quis saber de sua vida, de onde vinha, qual seu modelo de sucesso e fez uma cara de incredulidade quando Susan Boyle informou sua idade. Um programa voltado para faixas etárias de gente nova, ao informá-lo que estava com 47 anos, os risos da plateia e dos jurados encheram o ambiente. Para desanuviar as circunstâncias, o jurado Piers Morgan, perguntou-lhe o que ela ia cantar (I Dreamed a Dream From – Les Miserables) e, ao invés duma voz de taquara, estridente e desafinada, surpreendeu ao mundo com seu canto harmonioso, versos claros, voz doce e afinada. Quando ela terminou de cantar, foi aplaudida de pé.

Deus deixou talento para todos, independente, de gênero, de cor, de raça e de religião. Cabe ao homem, multiplicá-lo ou enterrá-lo como fez o servo mau. A missão do homem, aqui na Terra, é direcionar seu talento para o bem ou para o mal, conforme sua natureza e seu livre arbítrio.

Enfim, a diferença entre o gênio e o homem de talento, é que o gênio é mais inspirado, desenvolve em altíssimo grau sua capacidade mental criadora, isto é, faz acontecer seus talentos, persegue-os sempre; enquanto o homem comum desenvolve menos sua mente criadora, esforça-se menos, não persegue seu talento, conforma-se com o pouco, exercita menos sua mente, ele usa seu talento a nível de sua existência, ou seja, explora sua inteligência, somente, para resolver os problemas da vida cotidiana e não do espírito.


Autor: Rilvan Batista de Santana
Licença: Creative Commons
Rilvan Santana
Enviado por Rilvan Santana em 08/05/2018
Alterado em 09/05/2018
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